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ANÁLISE DA SITUAÇÃO ATUAL DA CIDADE DE RIBEIRÃO PRETO (SP) NA PANDEMIA DE COVID-19

27.07.2020

Por: Mell

Miguel A. Buelta M. (@Martine44528723)

Nesta análise é avaliada a situação da pandemia por COVID-19 na cidade de Ribeirão Preto, Estado de  São Paulo, verificando-se o comportamento dos óbitos e casos diários notificados e o que poderiam ser os números reais de casos e óbitos totais, caso a subnotificação desses números, já mostrada em outras análises, pudesse ser dimensionada.

Os números de casos e óbitos por COVID-19, diários ou totais acumulados, constantes dos gráficos correspondem à média móvel de sete dias, onde o dia considerado está no meio desses sete dias. São utilizados os valores de óbitos notificados até 23/07/2020 e os óbitos por SRAG notificados até 21/07/2020.

Todos os números são aqueles fornecidos pelo Ministério da Saúde. No que diz respeito aos números de casos e óbitos reais, a análise está baseada nas metodologias apresentadas nos dois trabalhos resumidos aqui e aqui.

Nessa análise é mostrado o consenso de que o óbito ocorre em média de 8 a 12 dias após o início dos sintomas, quando é detectado o caso de infecção, a taxa de 1,38% entre o número de óbitos e o número de casos (Imperial College London), bem como o atraso na notificação de casos, o número de casos reais totais no Brasil é maior do que o que vem sendo, devido à pouca testagem. Isso também pode ser mostrado para os Estados do país.

Nessa análise mostra-se o grande aumento de óbitos por SRAG em 2020 (1), em relação aos anos anteriores, no qual uma parcela significativa não foi identificada como sendo causada por COVID-19.

A partir daí decide-se acrescentar aos óbitos oficialmente notificados por COVID-19  ( N_COVID), aqueles óbitos devido ao SRAG (N_SRAG), a cada dia, onde não houve confirmação para COVID-19.

  • Agradecimento ao grupo Foco no COVID ( https://www.foconocovid.com/ ) que forneceu as tabelas de SRAG de 2020 e 2019, devidamente interpretadas, e dos índices de Isolamento Social, facilitando em muito esta análise.

Utilizam-se as expressões:

N_SRAG = N_SRAG2020  – N_SRAG2019  –  N_COVID SRAG2020  

Notar que são também retirados do N_SRAG os óbitos por SARG de 2019, e que podem ter ocorrido devido a outras viroses.

Portanto, o número de óbitos por COVID-19, passa as ser adotado como:

 ÓBITOS POR COVID-19 = N_SRAG + N_COVID   

Nesta análise, para a cidade de Ribeirão Preto, são reunidos os conceitos dos dois trabalhos citados, e estimando qual poderia ser o número de casos e óbitos por COVID-19, segundo as considerações que são feitas nessas duas análises anteriores.

A Situação Atual da Cidade de Ribeirão Preto

O início dos períodos para contagens dos óbitos se dá quando estejam acumulados cinco óbitos notificados por COVID-19. Em Ribeirão Preto isso ocorreu em 15/04. No gráfico abaixo nota-se que houve uma fase inicial estável de poucos óbitos por COVID-19 notificados, que será comentada a seguir. A partir de 02/06 houve uma subida abrupta de óbitos por COVID-19 notificados, o que pode ser consequência do relaxamento do isolamento social que ocorreu a partir da metade de maio, como se vê no gráfico seguinte. A partir daí a tendência de subida se manteve, com uma ligeira tentativa de estabilização, que é recente, como pode ser visto no outro gráfico (Figura 3), correspondente às duas últimas semanas.

Período considerado (15/04 a 20/07)

Período considerado (17/03 a 17/07)

Período das últimas 2 semanas (07/07 a 20/07)

Considerando a população de Ribeirão Preto, a média atual do número de óbitos diários notificados, é 50 % maior do que o valor para o Estado de São Paulo, quando esse estava no seu pico.

No gráfico a seguir são mostrados os óbitos por SRAG ( N_SRAG , da expressão (1) acima ), que seriam os óbitos que poderiam ser por COVID-19, ainda não notificados como tal.

Período considerado (15/04 a 18/07)

Essa diminuição dos N_SRAG  , nas últimas semanas é, em grande parte, devido ao atraso dessas notificações de óbitos por SRAG, que ocorrem como norma e que são posteriormente corrigidas.

No próximo gráfico são agrupados os óbitos diários, conforme:

-Curva azul: óbitos diários por COVID-19 notificados pelo Ministério da saúde (N_COVID).

-Curva verde: óbitos por SRAG ( N_SRAG , da expressão (1) acima ), que seriam os óbitos que poderiam ser por COVID-19, ainda não notificados como tal.

– Curva laranja: óbitos diários por COVID-19 notificados ( N_COVID ), acrescidos dos óbitos por SRAG que possivelmente também eram devidos à COVID1-19 ( N_SRAG ) , isto é:

ÓBITOS POR COVID-19 = N_SRAG + N_COVID . Esta curva está baseada nas informações sobre SRAG fornecidas pelo Ministério da Saúde, até 21/07/2020.

Período considerado (15/04 a 18/07)

Notar que no início do período o N_SRAG (curva verde), que seriam os óbitos diários que poderiam ser por COVID-19, não notificados como tal, eram bem superiores aos óbitos notificados por COVID-19 ( N_COVID, curva azul). Isso só se inverteu a partir 15/06, quando realmente começou a existir uma clara identificação dos óbitos por COVID-19. O valor real desses óbitos corresponderiam aos ÓBITOS POR COVID-19 diários ( curva laranja), adicionando os dois casos, que estão tendendo a estabilizar ou, talvez, aumentar, quando forem atualizados os óbitos por SRAG.

Casos e Óbitos Reais por COVID-19 na Cidade de Ribeirão Preto

Nos gráficos que seguem são mostrados os números de óbitos e casos totais acumulados, seguindo a mesma nomenclatura e cores do capítulo anterior.

Período considerado (15/04 a 18/07)

Deve-se destacar que há uma grande diferença entre os óbitos totais por COVID-19 notificados pelo Ministério da saúde (curva azul) e os óbitos que poderiam ter sido notificados (curva laranja), segundo as hipóteses desta análise, devido ao excedente de óbitos por SRAG não identificada como sendo causada por COVID-19. Portanto, utilizando os números obtidos, poderiam ter sido notificados para na cidade de Ribeirão Preto 2,2 vezes o número de óbitos por COVID-19, do que o número dado pelo Ministério da Saúde (Ex: em 18/07/2020 ter-se-ia 609 óbitos acumulados contra os 277 notificados).

No próximo gráfico são incluídos os casos de COVID-19 notificados pelo Ministério da saúde. Curva preta e numericamente apresentado o número de casos/10.

Período considerado (15/04 a 18/07)

Tomando também o número de ÓBITOS POR COVID-19 = N_SRAG + N_COVID  (curva laranja), e as considerações já citadas, de que é consenso que o óbito ocorre em média de 8 a 12 dias após o início dos sintomas, quando é detectado o caso de contaminação, a taxa de 1,38% entre o número de óbitos e o número de casos (Imperial College London), bem como o atraso na notificação de casos, e utilizando os números obtidos, segundo as hipóteses desta análise, o número de casos de COVID-19 reais totais na cidade de Ribeirão Preto seriam da ordem de 7,5 vezes o número de casos totais notificados (Ex: em 18/07/2020 ter-se-ia 57.960 casos, 8,2 % da população, contra os 7.728 notificados). O número de casos pode ser maior ainda do que esse, pois utilizaram-se aqui apenas os óbitos que passaram pelo sistema de saúde.

Conclusão

Verificou-se que a flexibilização do isolamento social, pode ter sido a causa do aumento do número de óbitos diários que vinham sendo notificados. Isso fica claro no gráfico de óbitos diários notificados por COVID-19 ao longo do período.

Quanto aos casos e óbitos reais por COVID-19, segundo as hipóteses desta análise, pode ter existido subnotificação de ambos, como já foi identificado para outras cidades, estados e para o Brasil como um todo.  Para isso, foi considerada uma relação aceita entre casos e óbitos, bem como o possível maior número de óbitos por COVID-19, não notificados, dado o grande aumento de óbitos por SRAG em relação aos anos anteriores. Inclusive, no início da pandemia, a grande parte dos óbitos atribuídos à SRAG, podem ter sido por COVID-19, não notificados como tal, e eram bem superiores aos óbitos notificados por COVID-19 ( N_COVID). Isso só se inverteu a partir 15/06.

Essa subnotificação, faz com que o número de óbitos por COVID1-9 para a cidade de Ribeirão Preto possa ser 2,2 vezes o número de óbitos notificados pelo Ministério da Saúde. Já o número de casos pode ser 7,5 vezes o número de casos totais notificados. Os valores reais poderão ser até maiores do que aqueles aqui calculados, pois consideram-se os óbitos por COVID-19 que circularam pelo sistema de saúde. Existem cidades e estados em que essa subnotificação é maior ou menor, e facilmente calculada utilizando o procedimento aqui apresentado.

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