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Dinâmica temporal no espalhamento viral e transmissibilidade da Covid-19.

18.04.2020

Por: Mell

Texto: Gustavo de Oliveira Silva Siga o Gustavo no Twitter: @gatanarco

            Um estudo feito pelo Departamento de Ciências e Tecnologia da província de Guangdong mostrou que o pico da infecciosidade do SARS-CoV-2 (vírus causador da Covid-19) é na fase assintomática. Também, foi estimado que até 44% dos casos são infectados durante essa mesma fase.

             O estudo foi feito com 94 pacientes diagnosticados com Covid-19 e foram coletados 414 amostras desses pacientes desde o início dos sintomas até 32 dias depois . A partir disso foi possível notar que não havia diferenças significativas nas cargas virais entre as diferentes idades, sexos e severidades da infecção. Além disso,  a maior carga viral era detectada logo após o início dos sintomas e diminuía até ser indetectável em até 21 dias.

            Posteriormente, os pesquisadores coletaram dados públicos de 77 pares de transmissão e, baseados em estudos anteriores, assumiram o período de incubação em cerca de 5,2 dias. Também assumiram que o aumento da infecciosidade poderia começar antes ou depois do início dos sintomas.

            Após usarem esses dados em análises estatísticas e de uma simulação chegaram a conclusão que o aumento da infecciosidade começava cerca de 2,3 dias e atingia o pico 0,7 dias antes do início dos sintomas.

A infecciosidade de um vírus é o que define o quanto ele é capaz de se espalhar. Em uma gripe comum (Influenza) a infecciosidade aumenta pouco depois ou pouco antes do início dos sintomas e decai a partir disso. Já na síndrome respiratória aguda grave (SARS) o pico ocorre  entre sete e dez dias após o início dos sintomas.

Mas porque saber disso é tão importante? O que muda no modo como estamos nos organizando?

            Alguns países, como Singapura e Coréia do Sul, tem testado a população em massa, isolam os doentes e tentam rastrear as pessoas com quem tiveram contato. Porém isso é muito mais difícil se a infecciosidade aumenta antes do início dos sintomas, já que há necessidade de rastrear todos que tiveram contato com o infectado antes dos sintomas aparecerem sem saber  ao certo quando a infecciosidade começou a aumentar.

            O estudo também apresenta que em lugares onde esse modelo foi implementado o número de infectados na fase pré sintomática pode chegar à 62%. Portanto, o tempo que se passa entre a infecção e o início dos sintomas pode levar ao descontrole do número de infectados, principalmente caso não sejam tomadas medidas considerando o aumento da infecciosidade antes dos sintomas no rastreamento de quem teve contato com os infectados.

            A partir disso, também pode-se concluir que países com escassez  de testes, como o Brasil, devem ter uma maior adesão ao isolamento social. Tal medida garante a diminuição considerável na transmissão assintomática e pré-sintomática, ainda mais se não houver rastreamento de quem tiver contato com infectados.

            Para países que podem fazer testes em massa, a recomendação é de que realizem o rastreamento das pessoas que tiveram contato com infectados e expandam as buscas para dois ou três dias antes do início dos sintomas, para garantir que o número de casos não aumente descontroladamente.

[https://www.nature.com/articles/s41591-020-0869-5?fbclid=IwAR3knD9f-1_-yTjj7WIc7Ptdq_tal3SsRfSqO0VZCetC-G7yoILdMVnQuxY]

Texto: Gustavo de Oliveira Silva

Revisão: Aline Fogal Vegi @amarelo_ipe, Marcelo Bragatte @MarceloBragatte

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