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Rt e a dinâmica de uma epidemia

09.07.2020

Por: Mell

Autora: Juliana Galhardo (@jugalhardo)
Revisão:  Letícia de Macedo Silva, Instagram: lets.cherry;
Amanda Gonzalez (facebook: amanda.gonzalez.5264)

Comentamos anteriormente que, na dinâmica das doenças, o R0 (ou número básico de reprodução) significa o número de indivíduos que serão infectados a partir de um único caso na população – ou para quantas pessoas um indivíduo infectado consegue transmitir, ou ainda a “média do número de casos secundários causados por um indivíduo com a infecção típica durante todo o período infeccioso” e também falamos sobre curvas epidêmicas clássicas e a semelhança com a distribuição normal. 

Agora já podemos falar da dinâmica temporal do número básico de reprodução, o Rt.

Podemos traduzir o Rt como a “velocidade de contágio ao longo do tempo”, de de forma que a principal diferença entre R0 e Rt é que o primeiro é estático, enquanto o segundo é dinâmico e pode variar (bastante) com o período avaliado. Esse tempo (t) pode ser aferido em dias, semanas ou outras medidas de tempo cabíveis para cada doença. Para a COVID-19, por exemplo, alguns pesquisadores utilizam o intervalo de uma semana.

Epidemias podem se espalhar de forma exponencial.Por exemplo, um indivíduo é capaz de transmitir para outros dois, estes dois transmitem para quatro, quatro para oito, oito para 16 e assim por diante. Essa estática, onde cada um transmite para dois, poderia ser entendida como o R0. Mas infelizmente – e especialmente em epidemias de doenças com transmissão aerógina (pelo ar) – essa estática não explica completamente a velocidade de transmissão, então aqui entra o Rt

É importante lembrar que vários fatores podem influenciar na transmissão de uma doença, incluindo as medidas de prevenção e controle. Como trazem Viboud e colaboradores (2016), “o Rt pode ser reduzido através do uso de medidas de controle bem-sucedidas (por exemplo, limitando os contatos entre indivíduos suscetíveis e infecciosos). 

O Rt também pode ser reduzido devido ao esgotamento de indivíduos suscetíveis, seja por transmissão extensiva ou pela imunização de indivíduos suscetíveis”. Por isso o Rt precisa ser estimado periodicamente para ser utilizado como um dos indicadores em uma epidemia.

Existem várias maneiras de estimar o Rt, mas em geral é obtido através de uma função utilizando os dados da série temporal de casos novos ou de óbitos, o R0 e o número de indivíduos suscetíveis (população suscetível) no período avaliado. 

A interpretação é exatamente igual àquela do R0: se Rt for maior que 1 a epidemia continuará, e se Rt for menor que 1 a epidemia desaparecerá.

Mais informações:

A Profa. Ethel Leonor Noia Maciel da UFES explica magnificamente sobre R0, Rt e muitas outras coisas sobre “A Epidemiologia no enfrentamento da pandemia de coronavírus” no site da UFES.  E o Grupo de Trabalho Multidisciplinar da UFRJ sobre a Coronavirus Disease 19 (COVID-19), que calcula estas estimativas para o Estado do Rio de Janeiro (“Covidímetro”), elaborou uma Nota Técnica explicando o cálculo do Rt utilizado nas análises que eles realizam.

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